Arrifana ocupa um território de 6,32 quilómetros quadrados, é uma das 31 freguesias do Concelho de Santa Maria da Feira, parte integrante do distrito de Aveiro, mas eclesiasticamente pertence à Diocese do Porto. Em 9 de Julho de 1985 foi elevada a categoria de Vila. Segundo dados dos censos de 2011, Arrifana tem 6.551 Habitantes, é constituída por 2.369 famílias e possui 2.861 Alojamentos. Dados que nos levam a concluir uma grave tendência de envelhecimento gradual da nossa população que registava em 2011 a existência e 1.273 pessoas com idades iguais ou superiores a 65 anos. O número médio de pessoas por família era à data dos últimos censos de 2,76 registando – se a esta data um decréscimo de aproximadamente 8%.

Esta Vila é altamente industrializada onde proliferam as tradicionais fábricas de calçado e marroquinaria, mas onde a indústria metalomecânica também ocupa um lugar de destaque em particular no fabrico de máquinas para a indústria de calçado. O comércio em geral também assentou arraiais na nossa Vila e estamos servidos de três grandes superfícies para além do comércio tradicional.

Arrifana é o nome atual da nossa Vila mas nem sempre assim se chamou. Com efeito um testamento do Século Onze de uma Senhora de nome Godo deixava ao Ascetério da Vacariça os bens que tinha em Pedroso, Scapanes et Maniozi. Mais tarde em 1251 a forma evolui para Manóci, como consta do Foral Velho de Santa Maria. Com o tempo seguiram – se outras formas, Manhonci, Manhuce e Manhôce, que ainda hoje temos e usamos para designar não a freguesia, mas um dos lugares onde há séculos terá sido implantada a freguesia ou Burgo de Ryfanna.

Muitas histórias se contam sobre a origem de Arrifana, contudo a mais consistente deriva do facto de Rifana ser um lugar de Manoci, como se pode constatar no Foral Novo de Dom Manuel às Terras de Santa Maria em 10 de Fevereiro de 1514, e isto porque nos nossos campos, nos nossos matos e nos nossos jardins era abundante a murta ou arraião. Contudo o Padre João Domingos Arede, arrisca que Arrifana é nome provindo do Árabe, e existindo em Santo Estêvão uma Capelinha de origem Árabe, no sentido de plano escalvado que se liga aos arrifes que são caminhos abertos na vegetação das árvores, faixas não arborizadas que evitam a propagação de incêndios nos talhões, daí a existência de terras como Arrifes, Arrifana e Arrifaninha.

Visitantes ilustres por aqui passaram, Dom Manuel em 1502 a caminho de Santiago de Compostela, aqui assinou a carta régia que permitia a construção da Igreja Matriz de Vila do Conde. A Rainha Santa Isabel, igualmente a caminho de Santiago de Compostela, aqui ficou hospedada e conta a lenda que por graça de Deus, aqui terá curado uma ceguinha de nascença. As nossas Festas anuais são em honra da Rainha Santa Isabel.

Frei João Paschoal natural de Arrifana de Santa Maria e onde viria a falecer no Dia de Natal de um ano após 1551, aqui deixou a sua cruz de pau preto com uma roseta amarela no centro, cruz esta que diz a tradição se dava a beijar todas as sextas-feiras e aos domingos terceiros de cada mês, e que Frei João Paschoal havia dito ao morrer que não entraria a peste na freguesia onde estivesse aquela cruz e jamais esse mal por aqui passou.

Contudo o facto mais marcante para todos os Arrifanenses foi sem dúvida o Massacre de Arrifana ocorrido aquando das Invasões Francesas. Durante a 2ª. Invasão Francesa foi morto numa emboscada em Ul um oficial de grande prestígio entre os Franceses, que era sobrinho do Marechal Soult, então Comandante da Invasão Francesa a Portugal. Cumprindo um edital do Marechal Junot Arrifana foi entregue à custódia do fogo, refugiando-se a população alarmada na Igreja, onde se julgava a salvo, como era costume na época, pois mesmo os piores criminosos tinham imunidade enquanto hóspedes da Casa de Deus. Mas esse dia 17 de Abril de 1809 haveria de ficar marcado para sempre na memória do Povo de Arrifana, e quebrando a tradição, os soldados franceses foram buscar todos os homens e rapazes, “quintados”(contavam cinco a cinco e o último era escolhido) e arcabuzados num lugar de sta freguesia de nome Buciqueira. Com requintes de sadismo alguns cadáveres foram esquartejados, suspensos às postas pelas árvores, de modo que a lição fosse exemplarmente aprendida.

Por fim mas nem por isso menos importante é a história de Ana de Jesus Maria José de Magalhães – Santinha de Arrifana (como carinhosamente tratamos) ou Serva de Deus, foi sempre para todos um mito, uma história, uma ilusão, um erro ou engano, uma maravilha de Deus, enfim tantos se pronunciaram e deram os seus pareceres sobre a nossa Santinha de Arrifana, mas a pura verdade é que ela é venerada, adorada por todos os Arrifanenses e não só, assim como motivo de peregrinações. O que porém se deve tirar da riqueza, do viver diário da Santinha, é a melhoria das relações humanas, como base forte da melhoria das nossas relações com Deus. Mais que as gentes de fora, é preciso que nós os Arrifanenses, procuremos compreender a mensagem do Céu que há nos êxtases, nas revelações, nos milagres e no jeito que a Doentinha teve de administrar nos seus anos de vida, com o desejo sério de mais ser do que ter. Eça de Queirós veio ver a “Santa” de Arrifana, na companhia do Conde do Covo, do Marquês de Rezende e de algumas Senhoras, tendo presenciado o que ainda os nossos antepassados têm transmitido de geração em geração que a Santinha ou Serva de Deus aquando da comunhão entrava em êxtase, ficando perfeitamente como que suspensa.

Arrifana é pois uma terra histórica e secular, orgulhosa do seu passado histórico, assente em raízes de um profundo amor e cientes de que o futuro reserva para esta Vila a grandeza que em tempos atingiu e que graças à maldade de uns, ao esquecimento de outros, mas com o esforço de muitos mais hoje é uma Terra resplandecente, próspera e onde se gosta de viver.